Ultimamente escrevi aqui no blog sobre ter escolhido ficar sozinha. Pois bem, resolvi escrever um fato interessante que aconteceu comigo, exatamente sobre isso, a solidão.
Sábado a tarde, lá estava eu no aeroporto embarcando em um avião pela primeira vez com destino à São Paulo. O que deveria ser novidade , acabou sendo algo normal, como se eu já tivesse voado muitas e muitas vezes. Peguei minha poltrona à janela, sentei, desliguei o celular, abotoei os cintos. Não prestei a mínima atenção em nenhuma das instruções da comissária, (ninguém deve prestar atenção naquilo mesmo) só pude reparar no péssimo inglês da moça. Passado isso, decolamos. Observei da janela tudo encolhendo lá embaixo, de certa forma impressionada e curiosa, pensando o quanto somos pequeninos nesse mundão imenso...
Olhei para o lado e vi sentada no outro lado do corredor, uma simpática senhora, que parecia estar sozinha e um pouco desorientada. Não consigo esquecer daquela afeição dócil expressada nas rugas de sua face cansada... Logo ela tirou um livro da sua bolsa e passou a lê-lo, tudo normal até eu reparar quando ela pega uma fotografia que estava no meio do livro. Haviam algumas pessoas na imagem, logo imaginei que poderiam ser familiares dela, pois ela olhava para a fotografia com certo carinho e lágrimas nos olhos.
A viagem passou rápido e preparando-se todos para o pouso, ela rapidamente se recompôs, guardou seus pertences, tudo tranquilo. Pousamos. Na hora de sair da aeronave, coincidentemente ela seguia na minha frente do corredor até a porta do avião. Seus passos eram lentos, passos esses vindos da dificuldade para caminhar devido à sua idade avançada. Chegando então à porta, encontrou dificuldades para descer a escada, bem quando eu decidi ajudá-la a descer segurando-a pelo braço, com muito cuidado e atenção.
Lá embaixo nos esperava o ônibus que nos levaria ao setor do desembarque. Ajudei ela a subir no ônibus, encontrei um lugar, ofereci para ela se sentar e sentei ao lado dela. Ela sorria e não dizia nada, apenas me olhava. Chegando ao desembarque, lá fui eu ajudá-la novamente, puxei para ela um carrinho de bagagens e fomos pegar as malas, e ela quietinha, sem me dizer uma palavra.
A minha mala, incrivelmente, foi a primeira a vir na esteira. Enquanto a senhora continuava esperando a sua bagagem, peguei minha mala, coloquei no carrinho e ela finalmente falou algo, pude ouvir ela dizer bem baixinho "Obrigada minha filha, que Deus a acompanhe...", respondi a ela "De nada... que Deus acompanhe a senhora também".
Fui seguindo em direção à porta, com um aperto no peito, pensando que ela deveria estar mesmo sozinha. Ela parecia estar triste, como se ninguém estivesse esperando por ela.
Saí e lá estava meu pai (todo bobão em ver a filha mais crescidinha depois de tanto tempo). Depois de toda a euforia do meu reencontro com o velho, reconheci as pessoas da tal fotografia que a senhora olhava no avião. Estavam ali aflitos, deveriam estar esperando por ela.
Logo saí com o meu pai e não pude ver como deve ter sido o reencontro, mas pude imaginar a sua felicidade em rever aquelas pessoas tão queridas. Tive então uma certeza: apesar de parecer ser tão solitária, ela não estava sozinha.
As vezes achamos que estamos sozinhos, mas a verdade é que sempre haverá alguém que nos ama nos esperando em algum lugar. Bom restinho de semana à todos!
Isso no meu rosto fpoi uma lagrima???
ResponderExcluirAh não1 Foi só algo que caiu nos meus olhos