17 de novembro de 2011

Criado-mudo








 


 
Toda noite estarei,
Ao lado do seu criado-mudo,
Vendo-o dormir tão suavemente
Como se nada mais houvesse no mundo.

Ouvindo sua respiração,
admirando seu rosto tão tranqüilo...
Tentando decifrar o enigma que há
por trás dos seus olhos... fechados.
E quem sabe até, acompanhar as lentas
batidas do repouso do seu coração...

Observar-te, enquanto estás a sonhar
e sussurrar bem baixinho ao seu ouvido:
“_Eu estou aqui...”

E mesmo que nunca me ouça,
você permanecerá vivo 
no meu coração e nos meus pensamentos...

Pode acreditar, toda noite eu vou te visitar
E sempre estarei ali, bem pertinho
velando o seu sono...

do lado do seu criado-mudo.


10 de novembro de 2011

Céu















Olhar para o céu e ver o pôr-do-sol.
Esse espetáculo alaranjado rompendo 
o azul do céu do triste lado oeste,
é como te ver partir, sem alternativa,
apenas indo por que se tem que ir...
Olhar para o céu, desta vez para leste,
ver chegar a lua cheia, brilhante e intensa
como o teu profundo olhar.
Entre o dia e a noite, a claridade e a
escuridão, vivo a vagar sem sentir 
o amargo frio desta terra de ninguém.
Minhas forças estão em ti, assim como meus olhos
estão no céu, só aguardando um dos teus sinais...
É triste. É triste olhar para o céu e tudo nele 
me fazer lembrar de ti.
É triste e também é contraditório, poder haver
algo que te sustenta e ao mesmo tempo
te consome. É como o céu para mim.
O mesmo céu que me enche de saudade 
e de tristeza, é o mesmo que me enche de esperança...
Esperança de que tu voltes para ficar,
voltes para que nunca mais tenha que partir
... para o triste lado oeste.